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JOÃO JACINTO
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“A tinta enquanto matéria plástica e colorida assume um protagonismo radical em quadros que acontecem por aparente estabilização dum magma feito de pigmentos e óleo, por entre acaso e intenção. A pasta avoluma-se em relevos e pode «escorregar» irregularmente do suporte, pode sedimentar-se em estratos horizontais entre secções da tela às vezes apenas aflorada pela cor, pode ser fragmento de parede com as suas manchas acidentais, pode solidificar em pregas e em películas que se rasgam sobre massas informes, pode aperceber-se como turbilhão de matéria cujo movimento se deteve por alguma desconhecida razão, ou, outras vezes, deixar-se ler como vestígio de paisagem ou de mapa, como chão e nuvens. A diferença constante dos resultados do que poderia ser (apenas) modo de fazer, a surpresa de cada obra concreta face à constância do processo, a variabilidade dos acontecimentos de pintura asseguram o permanente interesse do trabalho de João Jacinto.” In alexandrepomar.typad.com |